Irã estaria testando componente que provoca explosão de bomba 14-12-2009
O Globo/Agências internacionais RIO - Documentos confidenciais obtidos pelo jornal britânico "Times" mostram que o Irã estaria testando um componente chave de uma bomba nuclear. As informações do projeto descrevem um plano de quatro anos para testar um acelerador de nêutron, parte da bomba que provoca a explosão. Agências de inteligência dizem que os testes começaram no início de 2007, quatro anos após o Irã declarar a suspensão de seu programa nuclear. Uma fonte da inteligência da Ásia confirmou ao "Times" que seu país está entre as nações que acreditam que os testes já ocorriam em 2007. Nos mesmos documentos, é descrito o uso de uma fonte de nêutron, deuteride de urânio, que os especialistas garantem que não tem outro uso senão a criação de uma arma nuclear. Deuteride de urânio é um material usado nas bombas paquistanesas. - Embora o Irã garanta que esses testes têm uma finalidade civil, não há objetivo civil possível. Este é um indicador fortíssimo de trabalho nuclear - disse David Albright, presidente do Instituto de Ciência e Segurança Internacional de Washington. Os documentos estiveram em posse de várias agências de inteligência ocidentais, incluindo a britânica. Um membro do alto escalão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que as informações passaram por autoridades das Nações Unidas. Na sexta-feira, o secretário americano de Defesa, Robert Gates, disse que espera a adoção de novas sanções internacionais ao Irã por causa do seu programa nuclear. No mesmo dia, reunidos em Bruxelas, líderes da União Europeia manifestaram "grave preocupação" com as ambições nucleares de Teerã, e também alertaram para novas sanções. - Acho que vocês verão algumas sanções adicionais significativas impostas pela comunidade internacional, supondo que os iranianos não mudem de rumo e concordem com as coisas às quais aderiram no começo de outubro - afirmou Gates. Ele se referia a um acordo pelo qual o Irã enviaria ao exterior o seu estoque de urânio baixamente enriquecido, de modo a não ter chance de transformá-lo em matéria-prima para armas nucleares. Em troca, Teerã receberia combustível para um reator de pesquisas médicas. O país posteriormente desistiu da troca. Estados Unidos, Grã-Bretanha e França alertaram para novas sanções na quinta-feira durante debate no Conselho de Segurança da ONU, embora Rússia e China continuem relutantes.
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