Foto: JO - Governador Alcides Rodrigues e senador Marconi Perillo se cumprimentam durante posse do presidente da OAB-Go
Por Bruno Hermano
Ações protagonizadas por tucanos e pepistas nos últimos dias demonstraram que a campanha eleitoral deste ano será muito quente. A longa troca de farpas entre tucanos e pepistas iniciada logo no primeiro ano do governo Alcides Rodrigues (PP) teve novos capítulos e se acirrou ainda mais. Em nova estratégia que parece levar em conta que a melhor defesa é mesmo o ataque, no debate a respeito da dívida herdada pelo atual governo o PSDB foi para a briga. Depois que o secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, disse que o senador Marconi Perillo (PSDB) é “mentiroso” e teve sua declaração endossada pelo governador, os tucanos encararam e partiram para o contra-ataque.
A resposta ao secretário foi dada por deputados federais e estaduais do PSDB, que saíram em defesa do senador rebatendo a acusação. Utilizando o Twitter, Marconi Perillo respondeu de forma sutil. Sua principal reação foi formal: protocolou ação na Justiça exigindo explicações por ter sido chamado de mentiroso. Agindo assim, o senador não entrou no debate direto com Jorcelino Braga e centrou seu contra-ataque no governador Alcides Rodrigues. Para isso, incentivou a bancada tucana na Assembleia Legislativa a articular a criação de uma CPI para apurar o déficit nas contas do Estado.
Denúncia no Estadão
Na quinta-feira, 28, o jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem trazendo à tona novas gravações telefônicas de inquérito do Supremo Tribunal Federal que mostram movimentação do senador Marconi Perillo (PSDB) para pagar dívidas de campanha de aliados em 2006. As gravações levantam suspeita de uso de caixa 2 e compra de apoio político. As conversas foram gravadas pela Polícia Federal, com autorização judicial, e fazem parte de inquérito que tramita no STF desde 2008. Na relação de candidatos que teriam contado com recursos do senador estão vereadores e deputados federais e estaduais. Segundo a apuração, Marconi fez empréstimos para repassar recursos a aliados. O senador Marconi Perillo afirma que já tem documentos que comprovam a legalidade de suas ações. Ao responder sobre a reportagem, o senador questionou – mais uma vez pelo Twitter – o motivo pelo qual o governador Alcides Rodrigues também não aparece na reportagem (leia resposta de Alcides abaixo). Pelo miniblog, Marconi atribuiu a reportagem a ação de adversários políticos - embora as gravações sejam da PF e o inquérito corra no STF.
Desde que a troca de farpas entre tucanos e pepistas se iniciou, o senador Marconi Perillo tem procurado manter-se afastado do embate, adotando a posição de vítima. Ele teria sido traído pelo governador, atacado por integrantes do PP e caluniado por Jorcelino Braga - este o discurso que adota. Ao processar o secretário e articular a CPI do Déficit, Marconi demonstra que não está mais no lugar de vítima e parte para o ataque. Na Assembléia Legislativa, os integrantes da CPI da Celg apertaram o cerco na última semana.
Nesta CPI, como a Tribuna mostrou, em manchete publicada há duas semanas, Marconi vence o debate com o PMDB. O bom desempenho, neste caso, é a senha para entender a mudança de curso na estratégia tucana. Como o ambiente é favorável ao seu partido no Legislativo estadual, os tucanos têm prolongado o debate sobre o endividamento da empresa. Ao propor mais uma CPI, agora sobre o déficit, estariam buscando criar mais um palanque político. Com a CPI do déficit, que poderá investigar o endividamento do Estado desde a década de 80, o PSDB espera ter a oportunidade, mais uma vez, de prevalecer no debate buscando responsabilizar seus adversários por problemas enfrentados pela máquina estatal. Um palanque perfeito.
CPI do Déficit
Por conta disso, o PP, os peemedebistas e o governador Alcides Rodrigues se manifestaram contra a instalação dessa CPI. Contudo, o governador não fugiu do debate e rebateu a iniciativa tucana. Durante solenidade no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na quinta-feira, 28, o governador afirmou que o déficit nas contas do Estado deixado pelo seu antecessor está muito evidente, “é real, público e notório”. Na ocasião, o governador endossou mais uma vez Jorcelino Braga, que disse que reafirma suas palavras ao comentar o fato de ter sido questionado na Justiça. Quer dizer: se os tucanos querem briga, e um jogo mais duro, o governador deixou claro que topa o embate nos mesmos termos.
Se esquentaram os debates sobre o déficit herdado e a dívida da Celg nos últimos dias, a briga de bastidores entre pepistas e tucanos teve capítulos impublicáveis durante a semana. Nos corredores da Assembleia e do Centro Administrativo, o rumor era de que os ânimos nunca estiveram tão acirrados e que a guerra de bastidores da semana que passou foi a mais dura e tensa já protagonizada pelos dois grupos. Algo que tem irritado o governador e seus apoiadores é a reiteração da estratégia, segundo pepistas, sempre adotada pelos tucanos, e que consiste em bater forte e depois discursar a favor da reconciliação e da paz. Ou ainda: os aliados de Marconi baterem firme e o próprio pregar a unidade e defender ‘os interesses maiores do Estado’.
Outra ação do PSDB e do senador Marconi Perillo que incomodou os governistas durante a semana foi a visita feita pelo senador, deputados e pré-candidatos do partido à cidade de Luziânia. O senador visitou as famílias dos seis jovens que estão desaparecidos, no Setor Estrela Dalva, e se colocou à disposição para ajudá-las. Foi lá com ex-auxiliares de seu governo. Para integrantes da administração alcidista, Marconi teria agido como governador, a exemplo do que fez em 2009, quando distribuiu benefícios a vários municípios do Esntorno acompanhando o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e sem convidar Alcides.
PMDB na mira
Enquanto o PMDB, que em tese seria o principal adversário do PSDB, vive o dilema interno da definição do candidato, os tucanos têm centrado suas artilharias no governo estadual e na Nova Frente. Contudo, Marconi Perillo e seus aliados não têm deixado sem respostas as investidas do PMDB. É no debate sobre o endividamento da Celg que o PMDB mais tem apanhado dos tucanos. A tese de que a venda da usina de Cachoeira Dourada, durante o governo Maguito Vilela, foi o principal fator que levou a empresa à situação em que ela hoje se encontra é a que tem prevalecido no debate político. O prefeito Iris Rezende (PMDB) tem repetido sempre, em discursos e entrevistas, que é o PSDB o responsável pelo endividamento da Celg e do Estado, inclusive citando o nome do senador Marconi Perillo. Mas o senador se esquiva do debate direto com o prefeito, apostando na tese de que é preciso preservá-lo para ser ele o candidato peemedebista ao governo, e não Henrique Meirelles. No final da semana, emissários do PSDB divulgaram que, após os combates travados por Jorcelino Braga e Marconi Perillo, o secretário recolheria as armas e não faria mais ataques. O secretário, porém, negou qualquer recuo, deixando claro que se tratava, sim, de uma estratégia tucana de colocar panos quentes depois de uma semana tensa, e que, a exemplo de Alcides, está pronto para seguir em combate, segundo o inimigo. O PSDB, idem.
E guerra é guerra. Até quando esta irá, só Deus sabe. Ao que parece, até dia 3 de outubro. E depois...
Fonte: Jornal Opção